Existem profissões que precisam acima de tudo muita coragem e amor. Antes, porém, de dizerem que não é bem assim, por favor, leiam até o fim este editorial. É que não necessariamente essa coragem a qual foi referida precise ser na questão de perigo iminente. Pode ser também devido à falta de incentivo, colaboração e prestígio de outros. O mundo profissional, por sinal, é bastante curioso. Isso porque enquanto alguns trabalham pouco e ganham muito, outros precisam trabalhar de mais para receber, mesmo assim, de menos.
Fato é que não há como entender, nem mesmo admitir, que certas profissões recebam tão pouco, principalmente em comparação com outras. Não é o caso de criticar os que ganham muito, de forma alguma. O ponto em questão é a falta de respeito com profissionais, por exemplo, da área de educação e segurança pública. Levante o dedo quem teria paciência, competência e/ou se submeteria a cuidar de uma sala cheia de crianças ou adolescentes cheios de energia todos os dias. Agora pensem como deve ser estudar, fazer um curso superior, passar pela situaçã
o citada anteriormente e, tudo isso, ganhando muito pouco dinheiro. Sem falar no desrespeito também por parte de alguns pais e alunos. Não deve ser fácil, não é?! Então porque os professores ainda ganham tão pouco neste país. Por acaso não são eles que passam boa parte de nossas vidas tentando nos ensinar coisas que venham a tornar-nos pessoas melhores, bem sucedidas, profissionais competentes, dentre outras qualidades? Então! O que os governantes estão pensando? Acham que simplesmente um aumento é suficiente. Não, esses profissionais precisam de mais atenção financeira, mas também incentivo para trabalharem, aí sim, com vontade.
O mesmo eu pergunto quanto à segurança. Que se apresentem aqueles que gostariam, ou ao menos teriam coragem de enfrentar a bandidagem? Imaginem combater o crime com armamentos, carros e efetivo muito menores e menos potentes que o deles. Mas não é só: pensem como deve ser bater de frente com o crime sem proteção. Sim, porque a grande maioria dos equipamentos de segurança como colete a prova de balas, por exemplo, os próprios policiais precisam comprar com o salário que recebem no final do mês. Ah, e esse é

O respeito com os policiais deve começar no berço. Todavia, é o contrário que acontece na maioria das famílias que ensinam seus filhos a terem medo daqueles que devem proteger a população
o próximo grande problema: mais uma vez profissionais de essencial importância recebem muito pouco por seu trabalho. Citarei só mais um exemplo: os salva-vidas. A maioria deles também é policial militar, que já é mal remunerado. Durante a operação golfinho, não sei se os leitores sabem, mas eles é que têm que comprar, se quiserem fazer um trabalho mais qualificado, binóculo e rádio de comunicação. É, acreditem, os caras arriscam a vida pra salvar a população, recebem um salário ridículo e ainda gastam pra poderem melhorar a segurança de todos.
Herói no dicionário deveria estar citado mais ou menos assim: Brasileiro que escolheu como profissão dedicar sua vida ao semelhante através do ensino público ou guardando a segurança da população. Haveria ainda um significado anexo: Profissionais que também ganham muito pouco. É ou não é uma vergonha?! Autoridades, mexam-se por favor. Basta de tanta injustiça. Guardem suas ladroagens para os jogos de carta e não mexam no dinheiro que deve ser revertido para o povo. Esse é o dever de vocês.
Então, para finalizar, aí vai uma bela frase de quem sabe o que fala: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” Rui Barbosa
