
Luiz Edimilson (d) é prova do sucesso do programa. Ele foi apadrinhado há cinco anos por Luciano (c) e acabou se integrando à família, sendo bem aceito inclusive por Gian Lucas, filho mais velho de Luciano
No Brasil, não são poucos os jovens que acabam “jogados” em casas de abrigo sem perspectiva alguma de saírem de lá. Muitos deles são órfãos,
mas outros tantos foram abandonados por seus pais. A esperança de uma adoção vai até o primeiro ano de idade. Após isso, começa o lamentável desprezo da sociedade para com essas crianças. Quando elas chegam à adolescência, então, ficam ainda mais raras as possibilidades de alguma família leva-las pra casa. Contudo, há o Apadrinhamento Afetivo que surge como um alternativa para mudar, ou ao menos amenizar essa realidade.
O programa provém de uma parceria envolvendo órgãos governamentais gaúchos e sociedade civil. Ele visa encaminhar a possibilidade de pessoas assumirem responsabilidades como padrinhos ou madrinhas de crianças e adolescentes residentes em abrigos gaúchos com chances remotas ou inexistentes de adoção. Dessa forma, propicia experiências e referências afetivas, tanto familiares, quanto comunitárias, a estas crianças e/ou adolescentes.
“As crianças que ingressam nos abrigos são vítimas de vulnerabilidade social. Crianças vítimas de negligência, de impossibilidade de permanecerem no lar. Na maioria dos casos, o apadrinhamento é a grande saída dessas crianças, que por motivo qualquer vêm parar no abrigo e não têm possibilidade de fazer a convivência familiar. E a grande saída seria vincula-lás aos padrinhos afetivos”, ressalta psicóloga Carmem Missiaggia.
Inicialmente, os futuros padrinhos passam por uma série de etapas até ter, de fato, a possibilidade de estreitar laços com a criança ou adolescente. Na fase de recrutamento, são formadas comissões que acompanham os candidatos ao apadrinhamento através do preenchimento de ficha cadastral, entrevista preliminar, realizada por um técnico para pré-avaliar se os interessados se enquadram no perfil de padrinho.
Numa etapa posterior, as comissões de acompanhamento operacionalizam oficinas de sensibilização dos candidatos a padrinhos. Nelas, são tratados assuntos como violência física e psicológica, negligência e maus tratos, limites, vínculos e apego, a realidade da vida em abrigos, aspectos jurídicos e responsabilidade social do cidadão. Após esses encontros, as comissões de acompanhamento fazem uma prévia seleção dos candidatos a padrinhos observando critérios de afetividade, maturidade, disponibilidade, compromisso e responsabilidade.
Após todas essas etapas, então, os futuros padrinhos têm a possibilidade de passar um ou mais dias com uma série de crianças e jovens que estão à espera do afago familiar. O encontro acontece num local “recheado” de atrativos onde são desenvolvidas atividades em grupo como futebol, vôlei, pernas-de-pau, futebol de botão e cama-elástica. O intuito é que todos se conheçam da melhor forma possível.
Finalizado o contato pessoal entre candidatos, a padrinhos e apadrinhados, é realizada a escolha. Há também a possibilidade de desistência, que não é muito rara. Daí por diante, assinada a devida documentação, os contatos costumam ser semanais. Contudo, ao longo do tempo, a relação entre padrinhos e os apadrinhados costuma se estreitar, podendo haver, aí sim, um contato mais familiar.

Muito interessante o sistema de apradrinhamento adotado por vocês, facilitando bastante a a proximação entre crianças que dificilmente seriam adotadas e famílias ou pessoas que pretendem ajudar essas crianças, afetivamente e financeiramente, sendo o amor o maior dos vinculos entre esses seres.
Gostaria de saber se existe algum programa igual ou parecido aqui na minha cidade – Rio de Janeiro-R J.
Um grande abraço. Isabel
Parabéns pela bela iniciativa, a vida de uma pessoa é sempre reflexo de sua educação, a educação formal e principalmente a educação moral que vem com os exemplos, acredito que não há exemplos mais marcantes do que os do nosso lar da nossa família, aquilo que observamos nos nossos afetos, naqueles que amamos. Este contato estreito próximo na maioria das vezes não é possível nos abrigos, por mais que os cooperadores da instituição se disponham ao afeto e o amor. Cada criança sente falta da atenção individual do convívio com maior aproximação com adultos que atuem de forma correta, as crianças são reflexo do meio que vivem e a formação de sua personalidade depende muito desta convivência afetiva para que se torne um homem de bem.
Fico feliz em sabe que este apadrinhamento ocorre em varias cidades.
Gostaria que me ajudassem a encontrar este tipo de trabalho na cidade do rio de janeiro, onde atualmente cada instituição cria suas regras de apadrinhamento sendo que a grande maioria delas incentiva somente o apadrinhamento financeiro não permitindo o afetivo
Aguardo o contado. De todos que possa auxiliar: (favor divulguem este email lmeier@cnen.gov.br)
que o Mestre abençoe este trabalho.