O material audiovisual, ou “vídeo” para popularizar, produzido para tv funciona até certo ponto ao ser colocado na web. Dando-se uma primeira olhada, o “vídeo” continua sendo o mesmo. Na verdade, ele é o mesmo, e é aí que se encontra o problema. Embora o conteúdo continue o mesmo, ao se converter, ou modificar, o meio – da tv para a web – a mensagem também muda. Como explica McLuhan, meio e mensagem andam juntos. Se mudar um, automaticamente o outro também será modificado.
Por isso, depois desse primeiro ponto em que ele funciona parcialmente, o vídeo televisivo passa a perder uma série de elementos importantes. Detalhes se tornam ilegíveis devido ao tamanho e resolução das imagens. Deixa-se de enchergar com a mesma clareza os GC’s com o nome de repórter, entrevistado, local onde estão e informações extras como site para acesso a mais informações, entre outros. Outro ponto importante é a qualidade do áudio, que fica bem inferior.
Sendo assim, o vídeo no seu novo suporte terá uma compreenção limitada. O receptor, espectador, deixará de absorver as informações que o autor, jornalista, desejou passar quando idealizou aquele material para ser veiculado na televisão. Quando um editor, ou pauteiro, dá o assunto ao qual o repórter irá atrás de informações, normalmente ele já deixa mais ou menos claro o tamanho que a matéria, seja para jornal, rádio ou tv, deverá ter. Até o cinema segue um padrão semelhante. Enquanto isso, a web é livre. E esse ponto é que deve ser levado em consideração na hora de criar e postar um material nesse espaço.
Enquanto uma matéria para o Jornal Nacional, por exemplo, terá pouco mais de 10 minutos, na web o mesmo assunto poderá ser abordado mais a fundo. Na verdade, quando repórter e câmera saem pras ruas com o intuito de cobrir algo, eles colhem material audiovisual suficiente para preencher quase todo o telejornal. É lógico que não teria fundamento fazer isso, mas não web há exatamente esse espaço. Portanto, se ela (web) não tem o objetivo de substituir os demais meios de comunicação, ela pode, sim, complementar eles. Aí sim passaria a ter fundamento o apresentador dizer que “o conteúdo visto nesta edição pode ser encontrado no endereço tal”. Tudo bem, eles não estão mentindo, mas poderiam fazer melhor.
Nesse momento, contudo, um outro fator entra para discussão: será que a web já possui o “poder” para chamar grandes investimentos, que possibilitariam, dessa forma, a contratação de profissionais exclusivamente para a re-edição do material veiculado em outros meios? Se a resposta for sim, fica, então, evidente a falta de comprometimento, interesse e/ou competência dos profissionais presentes no mercado. Isso porque, reforço, com as possibilidade quase infinitas existentes na web, não há porque se limitar a tempo e/ou espaço, sendo que é estabelecido tal limite.
O audiovisual, quando produzido pensando na web, deve ser feito de forma “menos regrada”. Há desde a possibilidade de simplesmente extender o que já existe, até se criar algo ainda mais novo. As informações nesse espaço precisam estar mais a disposição do receptor. Os limites deixam de ser estabelecidos por motivos técnico/financeiros ou de interesse. Eles passam a ser de responsabilidade dos próprios consumidores de informação. O leitor, ouvinte ou espectador é quem precisa ter um leque grande de informações e, aí sim, escolher qual deseja se aprofundar. Isso pode ser um vídeo, como foi proposto se debater, mas também pode ser imagens fotográficas, gráficos, animações, áudios, hipertextos.
Mais uma vez, não há praticamente limites. É importante frisar isso. E a web é interativa, por isso quem decide o que quer assistir ou saber mais é o consumidor. O papel do jornalista nesse caso é ir além. Criar novas formas de informar. Romper algumas barreiras criadas. A interatividade se completa com a possibilidade do receptor votar, opinar, mandar idéias, enfim, participar.