
Seu Vilson, como é conhecido pelos estudantes, é proprietário da Canarinho Turismo, e já trabalha como motorista há mais de 30 anos. Durante todo esse tempo adquiriu a amizade daqueles que leva e trás, de casa à Unisinos
Estudar num curso superior é um dos grandes sonhos da maioria dos jovens atualmente. Atrás dele, vem a perspectiva de um futuro profissional promissor. Contudo, esse desejo muitas vezes trás desafios imensos aos estudantes, que em sua grande maioria saem do interior do Estado rumo à Grande Porto Alegre, onde se encontram algumas das principais faculdades e universidades.

Kassiane Killes Ramos, aluna do sétimo semestre de direito, aproveita a viagem para estudar, principalmente em época de provas
Um dos exemplos é a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Localizada em São Leopoldo, tem praticamente metade dos seus alunos residindo em municípios interioranos. Aproximadamente 180 deles, saem de Santo Antônio da Patrulha.
O município, com cerca de 38 mil habitantes, está localizado há distâncias bem semelhantes da Capital, Serra e Litoral. Da Unisinos são quase 100km feitos pela maioria dos universitários em ônibus de empresas contratadas para o serviço.
Alguns estudantes, contudo, utilizam veículos próprios, ou de seus pais, mas o custo acaba não compensando, como afirma Daniela Machado. A jovem, de 23 anos, costuma utilizar o carro poucas vezes por mês, normalmente em períodos de prova, ou quando pretende voltar mais cedo. Nos demais dias, vai e volta no Canarinho Turismo, uma das empresas que prestam o serviço. “O valor da gasolina vai muito além da passagem que pagamos para ir de ônibus, e tem ainda o desgaste do carro. Compensa apenas quando quero voltar mais cedo”, explica.
O horário de volta é um dos “sacrifícios” que passam os que dependem de ônibus. É porque praticamente todas as conduções só saem da universidade às 22h30. Ou seja, quando as aulas terminam mais cedo, o que costuma ocorrer com freqüência de acordo com os universitários, é preciso esperar ociosamente, ou procurar o que fazer dentro do campus.

Os namorados Maquele e Eduardo saem do trabalho direto para a Unisinos e, por isso, precisam fazer ao menos um lanche durante a viagem mesmo
A questão fundamental, como afirmou Daniela, assim como todos os estudantes que precisam pagar suas passagens é o valor gasto. Na Canarinho, por exemplo, são R$11,00 por dia. Nas demais, o valor é superior, chegando a R$ 13.
Além da Canarinho Turismo, atualmente existem outras duas empresas responsáveis pelo trajeto Santo Antônio/Unisinos. São elas: Dávilla Turismo e Turismo Barcellos. Essa última, contudo, só realiza a viagem no turno da manhã, enquanto as outras só o fazem na noite.
O percurso até a Unisinos também muda de acordo com a empresa. Enquanto Dávilla e Barcellos saem da cidade via RS-474 e seguem pela FreeWay, a Canarinho Turismo opta por seguir via RS-030, passando por dentro do município de Glorinha, onde então ruma para a auto-estrada Porto Alegre/Osório. A escolha por esse caminho se deve, na verdade, pelos universitários que residem em localidades do interior de Santo Antônio, ou na sede de Glorinha.
Chegando em Gravataí, ambos os ônibus pegam a esburacada RS-118. É então que as conduções, e seus passageiros, pulam de um buraco para outro, sem opção de desvio, em meio a vilas, ferros-velhos e algumas sinaleiras. Embora mais curto, esse acaba por ser o trajeto que mais toma tempo, devido a péssima conservação da via.

A grande maioria dos universitários patrulhenses pegam o sua condução para as universidades no Posto BR, próximo ao Centro da cidade. Outros, porém, sobem próximo a suas casas ou trabalhos
Já em Sapucaia, surge mais uma escolha: é possível passar por dentro da cidade, trajeto que acaba sendo um pouco mais curto e rápido, ou seguir até a agitada BR-116. Normalmente a segunda opção é a mais escolhida, para que os estudantes possam descer também na entrada principal da universidade.
Ao todo, alguns universitários patrulhenses, chegam a ficar quase duas horas dentro do ônibus. Isso porque as conduções costumam passar pelas principais vias da cidade, pegando em pontos estratégicos seus passageiros. Ou seja, os primeiros a embarcarem têm uma viagem aproximadamente 30min mais demorada que os demais.